sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

De volta de novo

Eu cheguei a excluir o blog, mas resolvi reatíva-lo. Não ando com espírito 'escritor', mas um blog sempre pode ser útil para momentos em que os 140 caracteres do twitter não são suficientes.
Tenho andado por lá: http://twitter.com/alineponciano

domingo, 27 de dezembro de 2009

A propósito do Ano Novo também

Ontem fui surpreendida por um e-mail (surpreeendida msm!) e é a ele que se deve o "também" do título. E esse "A propósito do Ano Novo" é particularmente meu, por isso tá aqui.
Antes do e-mail, juro, nao tinha caído ainda a ficha que me faz sentir os fins de ano. Eu estava desejano "Feliz Natal" e planejando viagens por simples osmose.
Dois mil e nove, pra mim, foi um ano muito esquisito. Começou de forma encantadora no socorro à Santa Catarina. Longe de doutrinas igrejeiras, dos desejos da cidade grande, nunca me senti tão perto de Deus, tão útil, tão humana como naquele lugar.
Depois, realizei um desejo antigo de conhecer São Paulo ( e como conheci!- pro bem e pro mal).
Mas o encanto acabou.E 2009 se tornou um ano que tá passando (passou) rapidinho, ainda bem.
Passei por muitas mudanças em "2000Inove" que foram fantásticas, mas academicamente e emocionalmente considero meu ano apagável. Os últimos meses salvaram a parte acadêmica, mas nao gosto nem um pouco de pensar no emocional. Sem dúvidas, foi um dos anos em que mas sofri ( porém, quem não sofreu?!). Tomei decisões importantíssimas e imperativas, só que uma dor que...caramba! Mas aprendi a disfarçar isso melhor, já deve ser um ponto positivo.
Eu tenho grandes medos profissionais para 2010. Tudo dando certo, termino graduação, uma grande conquista, mas e se nao passar no meu tão desejoso mestrado? E se nao conseguir um emprego? O que vou fazer? Espero (e vou lutar muito pra isso!) transformar meus medos em alegrias.
Que 2009 se inove a ponto de se trnsformar em 2010!
Contudo, no resumão deste post dramático (rs), espero mesmo é sorrir mais, muito mais em 2010. De verdade e só isso. Pra todos nós!

P.S. Brasil! É HEXA!!!! :D

sábado, 26 de dezembro de 2009

Seasons of Love (tradução)

Quinhentos e vinte e cinco mil e seiscentos minutos
Quinhentos e vinte e cinco mil momentos bons
Quinhentos e vinte e cinco mil e seiscentos minutos
Como se mede um ano a mais?

Em dias? Em pôres do sol?
Em meias-noite? Em copos de cafe?
Em noites? em sons?
Em risos? Em lutas?
Em quinhentos e vinte e cinco mil e seiscentos minutos?
Como você mede um ano pra viver?

Que tal com o amor?
Que tal com o amor?
Que tal com o amor?
Meça em Amor
Temporaas de Amor


Quinhentos e vinte e cinco mil e seiscentos minutos
Quinhentos e vinte e cinco mil jonadas para planejar
Quinhentos e vinte e cinco mil e seiscentos minutos
Como medir a vida de um homem
Ou de uma mulher?

Em verdades que ela aprendeu
Ou nas vezes que ele chorou?
Nas pontes que ela ergueu
Ou no modo que ele morreu?


É tempo agora de contar
Que essa história não tem fim
Vamos celebrar,
Relembrar um ano
Numa vida de amigos

Lembre do Amor
Lembre do Amor
Lembre do Amor
Lembre do Amor

Divida Amor
Dê Amor
Espalhe Amor

Meça sua vida em Amor!

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Congresso Internacional do Medo

(Carlos Drummond de Andrade)

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Vergonha nua

Apesar da nudez no título, essa, definitivamente, não é uma reflexão sobre vida sexual ou sobre corpos que se querem exuberantes. É um texto não sobre corpo, mas sobre alma nua talvez, parecida com aquela cantada por Vander Lee. Enfim...
Acho a vergonha pior do que o medo. Acredito que ela seja consequencia dele e, ultimamamente, estou tomada por ela.
Minha vergonha maior, hoje, é por perceber o quanto eu judio da Graça de Deus sobre a minha vida e, tudo isso, por simples medo. Medo de colocar tudo no varal: a roupa limpa e a roupa suja também.
A roupa suja incomoda demais e Deus sempre me chama pra dar uma lavadinha nela, porém eu, por medo de ter que enfrentar a mim mesma, continuo deixando-a suja. O problema é que sujeira acumula e minha roupa está a ponto de ficar imunda.
Pior ainda: tô achando que a roupa suja, por falta de cuidado, acaba maculando a roupa limpa também.
De vez em sempre, tenho vontade de jogar tudo quanto é roupa fora e ficar nua, sabe? Mas nudez escandaliza. Pra alguns, é obra de arte. Pra outros, a maioria, é falta de pudor. Pena a obra de arte ser algo que poucos acabam entendendo...
Eu tenho dúvidas, tenho vergonha, tenho medo. Tô “bem” vestida!

terça-feira, 1 de setembro de 2009

A minha alma (a paz que eu não quero)

Armar a alma é fácil, difícil é escolher a arma certa.

A minha alma tá armada e apontada
Para cara do sossego
Pois paz sem voz, paz sem voz
Não é paz, é medo


Às vezes eu falo com a vida,
Às vezes é ela quem diz
Qual a paz que eu não quero conservar
Pra tentar ser feliz?

As grades do condomínio
São prá trazer proteção
Mas também trazem a dúvida
Se é você que tá nessa prisão

Me abrace e me dê um beijo,
Faça um filho comigo
Mas não me deixe sentar na poltrona
No dia de domingo

Procurando novas drogas de aluguel
Neste vídeo coagido
É pela paz que eu não quero seguir admitindo

É pela paz que eu não quero seguir
É pela paz que eu não quero seguir
É pela paz que eu não quero seguir admitindo

sábado, 29 de agosto de 2009

Quem entende alguma coisa?

[...]

Meu mais recente esforço de fé não é do tipo intelectual. Eu realmente não faço mais isso. Mais cedo ou mais tarde você simplesmente descobre que há pessoas que não acreditam em Deus e podem provar que Ele não existe e alguns outros caras que acreditam em Deus e podem provar que ele existe - e a esse ponto a discussão já deixou há muito de ser sobre Deus e passou a ser sobre quem é mais inteligente; honestamente, não estou mais interessado nisso. Não credito que um dia irei me afastar de Deus por motivos intelectuais. Fora isso, quem entende alguma coisa? Se eu me afastar dele - e, por favor, orem pra que isso não aconteça, isso se dará por razões sociais, em função de razões de identidade, por profundas razões emocionais, as mesmas pelas quais qualquer um de nós faz alguma coisa.

[...]

(trecho do livro "Blue like jazz - nonreligious thoughts on Cristian spirituality", de Donald Miller, traduido por "Como os pingüins me ajudaram a entender Deus - pensamentos pós modernos sobre espiritualidade" pela editora Thomas Nelson Brasil)

...

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

"Três estados tem mais de um celular por habitante"

O título deste post foi retirado de uma reportagem do portal IG. Parte dela, transcrita a seguir:

Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e São Paulo superaram, no mês de julho, a barreira de um celular por habitante, segundo levantamento divulgado nesta quarta-feira pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Até junho, apenas o Distrito Federal havia superado esta marca.

No Mato Grosso do Sul, o índice ficou em 100,61 no mês passado, sendo que 100 significa que há um celular por habitante. A alta no Estado foi de 0,98% na comparação com junho.

Em São Paulo, o índice foi de 100,09, com alta de 1,48%, e no Rio de Janeiro, o incremento foi de 0,65%, com a taxa passando para 100,62.

No Distrito Federal, em julho, a taxa ficou em 153,43, com uma alta de 1,01% na comparação com junho.

O indicador do País encerrou o mês passado em 84,61 celulares para cada 100 habitantes, segundo a Anatel.


Todo mundo tem celular hoje em dia. Da criança ao vovô.É celular que canta, dança, sapateia, cozinha, limpa a casa e...Ah,serve pra fazer ligações também!
Eu fiquei embasbacada quando li a matéria. Mais de um celular por habitante??? O que me perturba é perceber que quanto mais conectados com a tecnologia, mais desconectados com os outros. Acho que as pessoas devem estar ligando pra elas mesmas à procura de conversa real...rs
"Vamos encontrar com fulana pra bater um papo?"
"Não, não tenho tempo, tenho que atualizar meu perfil do orkut! Mais tarde eu ligo pra ela ou mando um sms pra saber como ela tá"

Talvez pareça paradoxal essa crítica num blog, mas podem me chamar de quadrada que eu aguento...
Tenho UM celular, é verdade, mas não troco um abraço por conversa virtual nenhuma.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

"A dúvida sempre anda com a fé. Afinal, na certeza, quem precisaria de fé?"

Eu não entendo a Graça de Deus, não entendo mesmo. Como diz o hino, não sei como poder cantá-la nem como começar. Mas sei que não posso viver sem e que não posso viver sobre. Estar sob ela é o que faz toda diferança em minha vida.
Estava relendo trechos do livro "O Deus (in)visível", de Philip Yancey, e me deparei com alguns que refletem de maneira muito apropriada parte do que penso e sinto. Transcrevo-os abaixo. E dou glórias a Deus porque a graça e o Amor dEle não são baratos, são preciosos, e me sustentam...E, na loucura, entendo perfeitamente.


Pensando em minhas fases de falta de fé, vejo nelas todas as formas de incredulidade. Às vezes, retraio-me por falta de evidências, encolho-me diante do sofrimento e da desilusão ou me desvio em obstinada desobediência. Alguma coisa, contudo, sempre me atrai de volta para Deus. O quê? Nem eu sei.
(...)
Para mim, essa é razão de minha persistência. Para minha vergonha, admito que um dos motivos mais fortes de eu permanecer no rabanho é a falta de boas alternativas, muitas das quais já experimentei. "Senhor, para quem irei?". Mais difícil do que se relacionar com um Deus invisível é não ter relacionamento nenhum.


(extraído do livro "O Deus (in)visível", de Philip Yancey

sábado, 15 de agosto de 2009

A Graça barata e a Graça preciosa

Nascido em Breslau, na Alemanha, em 4 de fevereiro de 1906, Dietrich Bonhoeffer foi teólogo, pastor luterano e um dos mentores e signatários da Declaração de Bremen, quando, em 1934, diversos pastores luteranos e reformados formaram a Bekennende Kirche (Igreja Confessante), rejeitando desafiadoramente o nazismo: “Jesus Cristo, e não homem algum ou o Estado, é o nosso único Salvador”.

Seus últimos dois anos foram vividos na Prisão Preventiva do Exército em Tegel, até que, em 9 de abril de 1945, pouco tempo depois do suicídio de Adolf Hitler e apenas três semanas antes que as tropas aliadas libertassem o campo, foi enforcado em virtude de seu engajamento na resistência anti-nazista.

Em sua obra mais famosa, escrita no período de ascensão do nazismo, intitulada “Discipulado”, Bonhoeffer desenvolve o conceito de “graça barata e graça preciosa”, uma das mais belas páginas da teologia protestante. Eis um pequenino trecho:

“A graça barata é a graça que nós dispensamos a nós próprios. A graça barata é a pregação do perdão sem arrependimento, é o batismo sem a disciplina de uma congregação, é a Ceia do Senhor sem confissão dos pecados, é a absolvição sem confissão pessoal. A graça barata é a graça sem discipulado, a graça sem a cruz, a graça sem Jesus Cristo vivo, encarnado.

A graça preciosa é o tesouro oculto no campo, por amor do qual o homem sai e vende com alegria tudo quando tem; a pérola preciosa, a qual o comerciante se desfaz de todos os seus bens para adquiri-la; o governo régio de Cristo, por amor do qual o homem arranca o olho que o escandaliza; o chamado de Jesus Cristo, o qual, ao ouvi-lo, o discípulo larga as suas redes e o segue.

A graça preciosa é o evangelho que há que se procurar sempre de novo, o dom pelo qual se tem que orar, a porta à qual se tem que bater.

A graça é preciosa porque chama ao discipulado, e é graça por chamar ao discipulado de Jesus Cristo; é preciosa por custar a vida ao homem, e é graça por, assim, dar-lhe a vida; é preciosa por condenar o pecado, e é graça por justificar o pecador. Essa graça é sobretudo preciosa por tê-la sido para Deus, por ter custado a Deus a vida de seu Filho – “fostes comprados por preço” – e porque não pode ser barato para nós aquilo que para Deus custou caro. A graça é graça sobretudo por Deus não ter achado que seu Filho fosse preço demasiado caro a pagar pela nossa vida, antes o deu por nós. A graça preciosa é a encarnação de Deus.

A graça preciosa é a graça considerada santuário de Deus, que tem que ser preservado do mundo, não lançado aos cães; e é graça como palavra viva, a palavra de Deus que ele próprio pronuncia de acordo com seu beneplácito. Chega até nós como gracioso chamado ao discipulado de Jesus; vem como palavra de perdão ao espírito angustiado e ao coração esmagado. A graça é preciosa por obrigar o indivíduo a sujeitar-se ao jugo do discipulado de Jesus Cristo. As palavras de Jesus: ‘O meu jugo é suave e o meu fardo é leve’ são expressão da graça [...] A graça e o discipulado permanecem indissoluvelmente ligados”.

Retirado de http://www.ibab.com.br/ed090614.html

sábado, 8 de agosto de 2009

O contador de histórias

Sexta-feira, dia 7 de agosto de 2oo9, fui ao cinema assistir so filme "O contador de histórias" que conta a trajetória de vida de Roberto Carlos, considerado hoje um dos 10 maiores contadores de histórias do mundo.
Achei o filme maravilhoso (não poderia ser diferente devido à história de vida do protagonista) e, pensando nos mandamentos de Jesus,no Amor inexplicável de Deus, na Maravilhosa Graça, essa produção cinematográfica mexeu muito comigo, me fez refletir de uma maneira muito especial.
A atitude daquela senhora que "apadrinhou" Roberto foi de Deus. Eu vi Jesus naquele filme, eu vi um amor tão difícil de reconhecer nos dias de hoje, eu fiquei com nó na garganta.

É como disse Ed René Kivitz:

"Uma pessoa só é campo missionário suficientemente grande."

Assistam ao filme. É dinheiro muito bem aplicado.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

X Semana Jovem de Férias - IBRP

Ele teve alternativa.
Desde sempre, a cruz foi uma escolha dEle.
Ele poderia ter dito não, poderia ter pulado da cruz como um super-herói hollywoodiano e impressionar o povo que o rodeava, mostrando seus “super-poderes” divinos.
Mas Ele disse sim.
Disse que iria até o fim, que nos faria filhos por adoção e fiéis por opção, pessoas com vidas que pulsam!
Disse que o importante era a vontade do Pai, mesmo que o cálice fosse amargo.
Disse e mostrou que o mais importante era Amar.
Entre tantas alternativas, Ele escolheu Amar, escolheu NOS Amar. Incondicionalmente.
E aqui estamos nós! - Respirando o ar que Ele criou, bebendo da água que Ele criou, comendo dos frutos que Ele criou. Em todo lado nos deparamos com a Graça dEle.
Aqui estamos nós. Sem alternativa. Afinal, Senhor pra onde iremos nós se Tu (e só Tu) tens as palavas da Vida? Podemos até escolher outros caminhos, é verdade, mas outra alternativa de Vida , vida verdadeira, com V maiúsculo, não temos. E nem queremos ter...
CRISTO: BIO-ALTERNATIVA!

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Passo Imperial

Ontem, dia 21 de julho de 2009, estive em Petrópolis. Entre tantas coisas a fazer, gravações a ouvir e transcrever, frases a segmentar, livros a ler, fui a Petrópolis. E que bom porque fui!
Eu, minha irmã e minhas primas mais novas ( Evelyn e Piêtra, 11 anos)nos aventuramos, juntamente com outros dois amigos da faculdade, a passear pela cidade de Pedro. E olha que eu não refletia e me emocionava há muito tempo como me emocionei na visita ao Museu Imperial. Passos em meio ao Paço.Uma emoção extremamente contida, mas imensamente grande. Dez anos depois, volto eu a Petrópolis, uma pessoa completamente diferente da pessoa de 10 anos atrás.
Caramba... Lá estava a caneta com que Princesa Isabel assinou a lei Áurea! Entre tantas outras coisas, lá havia quadros que retratavam cenas "belíssimas" das lutas e mortes da Guerra do Paraguai, lá estavam o cetro e a coroa de D. Pedro. Revestidos de ouro, o cetro e a coroa do rei.
Inevitavelmente, me lembrei de Jesus - o Rei dos reis. Sem cetro e coroa de ouro,o rei Jesus é o cara que, sem caneta mas com Imenso Amor, é capaz de libertar a TODOS, é o cara que, em meio ao contraste de cores nubladas e tristes com outras alegres e vivas (como já diz o poeta João Alexandre), é capaz de pintar as mais belas cenas de Vida. Ele é O cara, é caríssimo pra mim.

Ele é Jesus, meu amigo, meu Senhor, O Salvador.Em qualquer lugar.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Entre roupas evangélicas e mentes evangélicas

Por Bráulia Ribeiro

Estava lendo a VEJA outro dia e descobri que existem fábricas de confecção especializadas em roupas evangélicas. A revista mostrava várias fotos de uma modelo elegante vestida de evangélica. As roupas até que nem eram feias, nem a reportagem claramente pejorativa. Parecia uma matéria factual, sem tendências, que se atinha a mostrar este setor especializado como a descoberta de um novo nicho de mercado…


Uma coisa destas numa revista de circulação nacional deve nos fazer parar para pensar. Resta saber que ferramentas mentais vou usar para pensar. Afinal de contas, pensar não é fácil e, definitivamente, temos aprender como. Posso pensar com minha mente carnal, com minha crente brasileira, com mente cristã, e mais umas tantas outras, mas vamos focalizar nestas três no momento.

A mente carnal gosta de sucesso, fama, projeção… “-Puxa que bom, estamos na VEJA, isto é sinal que dentro em pouco, quem sabe entraremos em grande estilo nas novelas da Globo, protagonizando romances do tipo dos que acontecem na vida real “evangélica”, fora ou dentro do casamento, não importa, desde que seja da vontade de Deus…” (nesta hora a mente carnal sabiamente substitui a vontade humana pela de Deus, mas tudo bem, já sabemos que ela é carnal mesmo, e sua especialidade é usar subterfúgios religiosos para nos enganar). Já estamos na Caras também, o que combina com a pregação de prosperidade que temos nas nossas igrejas, que benção, dentro em breve conquistaremos todos os ricos e famosos do Brasil e nossa renda aumentará em muito..”. E por aí a mente carnal iria, neste território, se felicitando pelo feito, pensando em novos mercados para os crentes, água mole em pedra dura, tanto batemos com nosso estilo evangélico de ser que, finalmente, conquistamos espaço…



A mente crente brasileira mais genérica se aproxima um pouco da carnal, infelizmente: “-Ah, bom, estamos na veja sinal de que a sociedade está nos respeitando, e olha só estamos “discipulando” o Brasil numa das coisas que ele mais precisa, na bandalheira são as roupas das mulheres, e com esta conquista de mercado, quem sabe conseguiremos tornar as brasileiras menos sensuais, abaixo a imoralidade, vamos orar contra, e fazer um culto de adoração, porque vestimos o bumbum do Brasil.” É, esta me parece ser a reflexão da mente crente mais comum, mas pode ser que hajam algumas variações aqui e ali. Pode haver um grupo que vai se envergonhar, e, neste grupo, estão os crentes “modernos” que tem como prática cristã o não ter ética no vestir. Mas mostramos o tempo todo que queremos ganhar a moralidade na marra, pensamos que com “nãos-nãos, sai-sais, e quebra-quebras” vamos mudar as pessoas. Pensamos em moral como algo externo, estabelecemos com mais facilidade o que é a prática cristã do que o que é a ética cristã.



Agora vem a dificuldade. Deveria colocar aqui o que pensaria o que considero ser a mente cristã ao ver aquela notícia na Veja. Mas, para meu horror, e espero que te cause o mesmo horror que a mim, verifico que não é fácil pensar com uma mente cristã. Parece que tal coisa a mente puramente cristã, desprovida de religiosidade e vícios culturais, a mente não secularizada, não influenciada pela visão de mundo pós-moderna, não embotada por anos de religiosidade alienante, não existe… Tenho que concordar com o autor Harry Blamires que escreveu um livro para dizer que no mundo atual não existe um pensamento cristão, ou uma mente cristã. Existe a ética cristã, a prática cristã, a espiritualidade cristã. Mas do pensamento cristão nós crentes estamos longe. O pensamento cristão pensa tendo como referência a Bíblia e a revelação da pessoa de Deus sobre tudo o que existe. Para o pensamento verdadeiramente cristão, não há diferença entre secular e sagrado, religioso e profano. O pensamento cristão não deveria se ocupar apenas do que é religioso e diz respeito à igreja porque Deus não criou apenas a igreja, ele primeiramente criou o mundo inteiro.

Tudo o que nos rodeia deveria ser revisto pela ótica divina. Todas as idéias nos interessam, as tendências, as sociedades, as sub-culturas. A mente cristã a todos ouve e não se fecha dogmaticamente diante de rótulos. Muitas vezes, concebemos um Deus religioso olhando para este mundo e colocando pessoas em caixas. Este Deus olha e vê uma mulher gritando. Ela foi oprimida por uma cultura machista e repressora, vítima de violência física e abusos de todo tipo. Seu grito que corta o ar é: - “Abaixo a violência contra a mulher!!” Deus olha, franze o cenho e diz: –“ Hum… ela é apenas mais uma feminista. Vá obedecer os homens, muié sem vergonha!!”

Na esquina tem outro grupo. Desta vez são sem-terra honestos, precisando de terra e de pão. Deus se lembra de ter ouvido este clamor antes, nas obras de Portinari dos homens com mãos grandes, no romance de Graciliano Ramos, quando a migração se dá no inverso, no lirismo da música do Chico Buarque:

“Zanza daquiZanza pra acolá

Fim de feira, periferia afora

A cidade não mora mais em mim

Francisco, Serafim

Vamos embora

Mas Ele finge não saber de nada disto porque são coisas “do mundo” e rapidamente se recupera daquele momento de compaixão, lembrando-se de que é um religioso, o próprio Deus afinal de contas, e de que não deve se misturar com estas coisas de políticas humanas, afinal o que Lhe interessa são as almas e faz um muxoxo, dizendo com reprovação: “Marxistas…”



Depois, um pouco entediado consigo mesmo talvez, se volta para seus crentes e se põe a vigiar-lhes o comportamento para saber se vai recompensar-lhes ou não segundo as suas obras…



Felizmente esta é a visão que nós temos de Deus e não a visão que a Bíblia nos passa. O verdadeiro pensamento cristão integra o mundo e suas necessidades com a fé, entendendo o Deus que da Bíblia se importa sim com desigualdades sociais e faz leis e sanções a respeito, se importa com os oprimidos e miseráveis, se torna o Deus das viúvas e dos órfãos. Deus não tem medo de pensar porque ele não teme perder a fé em si mesmo, aliás ele chama os maiores pensadores do mundo para a argumentação. (A bíblia está cheia de “vinde e arrazoemo-nos, mas não traz nem uma vez uma afirmação do tipo: “-em comunicado especial Deus afirma que ele existe sim, e que não devemos duvidar de sua existência.”) Não, nada disto, Deus não se preocupa em afirmar-se, apenas diz: - “o estúpido diz para si mesmo que eu não existo, e todos os homens são indesculpáveis porque os céus gritam para todo lado não só minha existência, mas minha glória…”



- Xiiii…. Peraí, vai com calma Deus não se mostre tanto assim, porque pensamos que conhecer sua existência é privilégio dos evangélicos…



Mas Deus parece nem notar que somos assim exclusivistas e vai se revelando a justos e injustos… Nem todos os seguem, é verdade, mas até bêbados, na verdade ex-bêbados como o João Ubaldo quando querem dar uma “brechadinha” nas verdades de sua revelação pessoal conseguem, afinal está tudo tão claro ali na Palavra… Quando escreveu o conto: “O Santo que não acreditava em Deus", João Ubaldo, à moda do João da Bíblia, entendeu que a essência de Deus é amor e não religião, e visualizou um Jesus se encarnando hoje, de repentinho, no sertão nordestino. E este Jesus se chama Salvador, e não se importa se as pessoas são religiosas ou não, mas ao andar vai conhecendo a cada um, revelando seus segredos para elas mesmas, amando os desamados e respeitando os desrespeitados, tudo isto porquê é com cordas de amor que Ele nos atrai e não com cordas de preconceito e religiosidade.



Nem o cinema ele discrimina e se revela nas mãos de diretores como Spielberg, falando contra o nazismo, o racismo, no rosto de atrizes como Fernanda Montenegro em Central do Brasil, encontrando o amor e a moral numa caminhada com um menino sem pai.



Deus é assim, um cara mais legal do que o que a gente pensa. E o pensamento cristão, se existisse como Ele, Deus, existe, olharia com surpresa para a tal roupa evangélica. Mas roupa evangélica? Diria a mente cristã: Cadê o amor evangélico, a redenção social evangélica, a transformação de valores evangélica? Mas a surpresa e o choque pela ausência de idéias tão essenciais não lhe impediria de continuar tentando nos ensinar a pensar.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Minha reflexão impetuosa

Eu quero para dentro sair
E para fora entrar
Para baixo subir
E para cima abaixar

Quero ser inconveniente
Literalmente
Parar de pensar em fazer
Para fazer o pensar

Esquecer convenções e conveniências
Não sofrer pressões e violências
Físicas e ideológicas...
Ilógicas.

Não quero viver o paradoxo alarmante
De nunca ter explodido
Apesar de sempre ser bombardeado
Numa sociedade inoperante
Onde uns calam os gritos
E outros gritam calados.

Para andar nas ruas da cidade?
É necessário ter "jogo de cintura"!
E para desfilar a vaidade?
É preciso não ter cintura!

Fatos. Atos. Asco.
O que se vê,
O que se (não) faz
E o que se sente.
Passivamente.

Eu quero é aglutinar
Gentileza à liberdade
E plenitude à alegria
Viver com liberdeza e gentilidade
Alegritude e Plenitia

Quero praticar ações
Gramaticalmente anormais
Ou formar palavras
Normalmente agramaticais

Talvez estejam nelas belas soluções
Palavras...
Nossa forma de pôr pra fora
Então, que vertam aos borbotões!